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22/11/2019

Em convenção paranaense, um alerta aos estudantes de medicina

O aumento do número de escolas médicas, o abandono das vagas de residência médica no estado do Paraná e a importância do conhecimento das entidades médicas e autarquia foram os principais temas destacados pelo presidente da Associação Médica do Paraná, Dr. Nerlan Carvalho, em evento que reuniu acadêmicos de medicina em Curitiba.

Foi a I Convenção Paranaense dos Estudantes de Medicina, ocorrida dos dias 8 e 9 de novembro, na Universidade Positivo, uma promoção da Associação dos Estudantes de Medicina do Brasil, a Aemed BR, em parceria com a Associação dos Estudantes de Medicina do Paraná (Aemed PR).


Segundo o  vice-presidente da entidade nacional, Victor Hugo de Castro e Silva, que está concluindo o curso de medicina no Espírito Santo e prestará concurso para residência no Hospital de Clínicas, na capital paranaense, o objetivo foi reunir experiências de todos os estados para incentivar o desenvolvimento de gestão e liderança, empreendedorismo, tecnologias, vínculos médicos e métodos de aprendizado, além de proporcionar suporte à formação médica com painéis que versaram sobre ética e política, desafios da graduação, raciocínio clínico e perspectivas  futuras.

Além do presidente da AMP, participaram a diretora acadêmica da Associação Médica Brasileira (AMB), Dra. Maria José Maldonado; o conselheiro do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) e presidente da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Paraná (Sogipa), Dr. Jan Pawel Andrade Pachnicki; a secretária-geral do Sindicato dos Médicos do Paraná (Simepar), Dra. Claudia Paola, e os acadêmicos Lucas Henrique Faidiga, presidente da Aemed PR, e Milena Palma, presidente Aemed BR.
 
Leia abaixo, na íntegra, o discurso do presidente da AMP:
 
Dr. Vitor Hugo – 1º Vice Presidente da Associação Nacional dos Estudantes de Medicina
Agradeço o convite para participar da sessão de abertura deste evento.
Saúdo aos demais integrantes da mesa solene.
 
A Associação Médica do Paraná, a exemplo das demais, é uma Federada da Associação Médica Brasileira.
Muitos colegas confundem as entidades e os seus papéis.
 
Aproveito esta oportunidade para dizer que a AMB é a entidade composta por 54 Sociedades de Especialidades e que é a detentora do Título de Especialista. Em conjunto com as Sociedades de Especialidade, concede o título através de uma residência médica reconhecida pelo MEC ou através de prova de titulação.
Após a concessão do título, este será registrado no Conselho de Medicina.
 
Outra atividade da Associação Médica é elaborar e atualizar a Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos – CBHPM, que é o referencial de valores para a cobrança de Honorários Médicos.
 
Também atua na defesa profissional, onde nossa profissão tem sofrido constantes ataques por parte de uma política de governo de esquerda, nos últimos 24 anos, por ocasião dos governos Fernando Henrique, Lula, Dilma e Temer, que autorizaram a abertura indiscriminada de escolas de medicina, hoje 340 no país. Perdemos apenas para a Índia. E mais um agravante, as escolas de medicina existentes aumentaram o número de alunos, além de criar campus em outras cidades.
 
Somos totalmente contrários a essa situação caótica que está se tornando nossa profissão. Queremos que as escolas sejam avaliadas quanto ao seu ensino e me refiro ao corpo docente, quanto a laboratórios, quanto a oferecer ambulatórios com professores acompanhando os alunos em graduação, quanto a hospitais escolas, e, acima de tudo, que sejam encerradas as que não cumprem o papel. A lei que estabelece o funcionamento existe e é necessário que seja cumprida.
Hoje, graduam-se cerca de 28.000 médicos/ano. E somos 440.000 atuantes no país. Já existem médicos que abandonaram sua profissão por não compensar financeiramente.
 
Nossa profissão exige raciocino clínico, trabalhamos com margem de erro muito estreita e na nossa frente está um ser humano que necessita de atendimento correto, humano e sem falhas.
 
Nessa situação de desvalorização do trabalho, somos obrigados a ampliar a carga horária, causando aumento do stress, levando à Síndrome de Burnout. Interessante que os médicos formados há mais tempo não tinham, ou tinham em número inexpressivo, esta síndrome.
 
Atuávamos, quando residentes, dia e noite, sem limite de carga horária, sem quaisquer questionamentos. Estávamos ali para aprender e praticar. A remuneração é consequência.
 
Assusta ver hoje o jovem cheio de direitos e poucos deveres.
Assusta ver o jovem imediatista, que só quer cumprir o estritamente necessário. Que prioriza o ganho, se sujeitando a trabalhar em qualquer local, deixando sua pós-graduação de lado.
Assusta ver o descompromisso.
Assusta ver a geração perdida do Mi, Mi, Mi cheia de direitos e poucos deveres.
Assusta ver que jovens médicos, após ingressarem na residência médica, onde as vagas são disputadas chegando a 80 para 1, abandonarem já no primeiro ano. Cito o caso da residência de Pediatria do Hospital Evangélico Mackenzie de Curitiba, onde dos oito residentes do primeiro ano, cinco abandonaram, dizendo estarem sendo explorados. Sua carga horária era de 6 horas por dia mais um plantão de 24 horas semanais.
 
Lutamos como Federada pela aprovação  da PEC 890 em sua íntegra, que estabelece o Revalida como necessidade para que pessoas formadas no exterior possam atuar no país.
 
Lutamos através do IBDM, trabalhando para eleger políticos sérios e comprometidos com a saúde da população e que defendam a classe médica.
 
A Associação Médica do Paraná, através da Universidade Corporativa, criou o portal EduMedica, para oferecer conteúdos médicos de qualidade, nas diversas áreas da medicina, acessível através do smartphone ou computador. Convido a todos a acessarem e se inscreverem.
 
Por fim, meus caríssimos,
 
Sonhamos
Sonhamos em ter um ensino público de qualidade
Sonhamos em ter médicos bem formados
Sonhamos em ter uma remuneração justa
Alerto a todos vocês para que não aceitem ou assinem contratos lesivos ao seu trabalho.
 
Vocês serão as futuras lideranças, portanto, participem da vida associativa.
Vocês podem fazer a diferença.
Vocês são o futuro.

 

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