sexta, 26 de junho de 2026
A violência contra médicos e profissionais da saúde deixou de ser um episódio isolado para se tornar uma realidade cada vez mais presente nos ambientes de assistência. Diante desse cenário, o Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) promoveu, no último dia 20, o evento estadual "Tolerância Zero contra a Violência na Saúde", reunindo autoridades, representantes dos poderes públicos, entidades médicas, órgãos de fiscalização e profissionais da área para discutir medidas concretas de prevenção, acolhimento e proteção.
Realizado com apoio do Conselho Federal de Medicina (CFM), o encontro ocorreu na sede do CRM-PR, em Curitiba, sob o lema "Não aceite o inaceitável: denuncie qualquer forma de violência", e marcou a consolidação de uma ampla mobilização em defesa de ambientes de trabalho mais seguros para quem atua na linha de frente do cuidado à população.
Representantes de diversas instituições ligadas à saúde, ao sistema de Justiça e ao poder público participaram do evento, reforçando o caráter interinstitucional da mobilização. Estiveram presentes o presidente do CRM-PR, Eduardo Baptistella; o conselheiro federal titular pelo Paraná, Alcindo Cerci Neto; a conselheira federal suplente pelo Paraná, Viviana de Mello Guzzo Lemke; o conselheiro federal pelo Rio de Janeiro, Raphael Câmara Medeiros Parente; o secretário de Estado da Saúde do Paraná, César Neves; o presidente da Associação Médica do Paraná (AMP), José Fernando Macedo; e o vice-presidente do Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná (Simepar), Darley Rugeri Wollmann Junior.
Participaram ainda a diretora da Unimed Curitiba, Khátia Maria de Gouvêa Ribas; a juíza da 1ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba, Rafaela Mari Turra; a presidente da Comissão de Saúde da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Paraná (OAB-PR), Renata Farah; o desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná, José Américo Penteado de Carvalho; integrantes e a coordenadora da Comissão da Mulher Médica do CRM-PR, Andrea Regina Barea Hartmann; o jornalista Roberto Hinça; o representante da Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba, Rômulo Pereira; e a presidente do Conselho Regional de Enfermagem do Paraná (Coren-PR), Ethelly Feitosa Santos.
Também estiveram presentes, tanto de forma presencial quanto online, conselheiros do CRM-PR da gestão 2023-2028 e representantes das Regionais do CRM-PR de Cascavel, Francisco Beltrão, Guarapuava, Londrina, Maringá e Ponta Grossa, entre outras lideranças e profissionais da saúde.
A urgência do tema é evidenciada pelos números. Levantamento da Comissão de Prevenção à Violência Contra Médicos do CRM-PR mostra que o Conselho recebeu 217 denúncias de violência contra médicos entre outubro de 2023 e junho de 2026. Somente neste ano, já foram registradas 57 ocorrências, o equivalente a uma denúncia a cada três dias.
O cenário acompanha uma tendência nacional igualmente preocupante. Dados do Conselho Federal de Medicina revelam que 2024 registrou o maior número de casos de violência contra médicos em estabelecimentos de saúde desde o início da série histórica, com 4.562 boletins de ocorrência, média de 12 médicos vítimas de violência por dia no Brasil.
Para o presidente do CRM-PR, Eduardo Baptistella, o problema ultrapassa a categoria médica e afeta diretamente toda a rede de atendimento à população.
"O tema é muito importante e não se resume apenas à violência contra os médicos, mas a todos os profissionais da saúde, inclusive outros funcionários como os atendentes das clínicas que também sofrem este drama. Isso não é aceitável, a violência prejudica a prática da Medicina e atinge a todos, sobretudo a população que depende do atendimento médico. Queremos respeito pelos profissionais da saúde. O médico precisa ter dignidade e integridade no seu local de trabalho para poder exercer a boa Medicina", afirmou.
Violência verbal lidera registros e mulheres são as principais vítimas
Os dados apresentados durante o evento mostram que a agressão verbal é a forma mais frequente de violência, responsável por 87 registros. Em seguida aparecem o assédio moral, com 71 casos, a agressão psicológica, o abuso de poder político, a intimidação e até agressões físicas.
O levantamento também aponta que os pacientes são os principais autores das agressões, respondendo por 119 denúncias.
Outro dado que chamou atenção dos participantes foi o recorte de gênero. Das 217 notificações recebidas pelo CRM-PR, 64% foram registradas por mulheres médicas, reforçando a vulnerabilidade feminina diante de situações de assédio, intimidação e violência no ambiente profissional.
Segundo o conselheiro federal pelo Paraná, Alcindo Cerci Neto, a realidade exige ações imediatas. "A violência contra o médico é uma realidade que vivemos no dia a dia, nos postos de saúde e nos hospitais. Ela se manifesta tanto fisicamente quanto de forma verbal, e as mulheres são as principais vítimas. Apesar de ser multifatorial, a violência é controlável e deve ser combatida. É inadmissível que ocorra. Os médicos estão deixando de trabalhar nas unidades de saúde. O médico quer ajudar e o sistema de saúde precisa ajudá-lo a fazer isso de forma ampla, tranquila e segura."
Relatos emocionam participantes e reforçam importância da denúncia
Um dos momentos mais marcantes da programação foi o painel "Vozes da Realidade – O Impacto do Inaceitável", que reuniu médicos vítimas de agressões durante o exercício profissional.
Os relatos evidenciaram como a violência impacta não apenas a segurança física dos profissionais, mas também sua saúde emocional, seu desempenho e a própria qualidade da assistência prestada aos pacientes.
O encontro reforçou a necessidade de romper o silêncio diante das agressões. Atualmente, apenas um em cada quatro médicos que denunciam violência ao CRM-PR registra boletim de ocorrência junto às autoridades policiais.
Novas normas e botão do pânico fortalecem rede de proteção
Durante o evento foram apresentadas a Resolução CFM nº 2.444/2025 e a Resolução CRM-PR nº 253/2025, que estabelecem diretrizes para prevenção, acolhimento e enfrentamento da violência contra médicos.
Também foi debatida a implementação do chamado "botão do pânico", mecanismo de acionamento rápido para situações de risco em instituições de saúde públicas e privadas.
A conselheira federal suplente pelo Paraná, Viviana de Mello Guzzo Lemke, destacou o protagonismo do CRM-PR na adoção das medidas. "Estamos vivendo um momento ímpar. O CRM-PR é o primeiro Conselho regional do país a seguir a resolução do CFM sobre enfrentamento da violência no meio médico, editar uma resolução própria sobre o tema e publicar um manual de implementação do botão do pânico. O CRM-PR e a Comissão das Mulheres Médicas estão de parabéns pela iniciativa."
O secretário de Estado da Saúde do Paraná, César Neves, também defendeu a ampliação das medidas de proteção. "Não podemos fechar os olhos para este problema que acontece nas unidades de saúde, nas portas dos hospitais e nos prontos-socorros. É inaceitável que isso ocorra. A implantação do botão do pânico é um avanço e a Secretaria apoia que essa ação se transforme em lei no Estado, pois trata-se de uma medida efetiva contra quem desrespeitar os profissionais da saúde."
Coalizão reúne instituições em busca de soluções permanentes
Além dos debates técnicos, o evento promoveu um fórum de coalizão com representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, entidades médicas e instituições parceiras.
Para o vice-presidente do Sindicato dos Médicos do Paraná (Simepar), Darley Rugeri Wollmann Junior, o enfrentamento da violência exige atenção às condições estruturais do sistema de saúde. "Este evento, que congrega as principais entidades médicas do Estado, é de extrema importância devido à gravidade do problema. A precarização do trabalho e a desassistência são algumas das causas do aumento da violência contra os médicos, o que acaba gerando prejuízos para a própria população."
A diretora da Unimed Curitiba, Khátia Maria de Gouvêa Ribas, ressaltou a necessidade de atuação conjunta entre as instituições. "Para que possamos ter um combate efetivo da violência no âmbito da saúde é necessário que todas as entidades estejam unidas. O assunto precisa ganhar repercussão porque os profissionais estão muito expostos e precisam ser protegidos."
A presidente do Conselho Regional de Enfermagem do Paraná (Coren-PR), Ethelly Feitosa Santos, reforçou que a violência afeta toda a equipe multiprofissional e impacta diretamente a qualidade da assistência prestada aos pacientes.
Já a juíza da 1ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba, Rafaela Mari Turra, propôs a criação de uma comissão permanente para transformar as diretrizes das resoluções em ações concretas. "A criação de uma Comissão Multi-Institucional, com participação da Secretaria de Segurança Pública, Polícia Civil e Guarda Municipal, pode ajudar a construir protocolos regionais que permitam implementar efetivamente as ferramentas previstas nas resoluções."
"É preciso cuidar de quem cuida"
Relator da Resolução CFM nº 2.444/2025, o conselheiro federal pelo Rio de Janeiro, Raphael Câmara Medeiros Parente, alertou para os reflexos da violência sobre todo o sistema de saúde. "É um problema crônico em todo o Brasil. A violência contra os médicos é inaceitável e compromete o atendimento à população. Se o médico não tem segurança, ele não consegue trabalhar de maneira correta e isso se reflete atualmente na dificuldade em contratar profissionais. É preciso deixar claro que devemos cuidar de quem cuida da gente."
Carta de Curitiba formaliza compromisso de tolerância zero
Ao final do encontro, foi apresentada a Carta de Curitiba – Manifesto pela Tolerância Zero, documento construído coletivamente pelas instituições participantes e lido pela coordenadora da Comissão das Mulheres Médicas do CRM-PR, Andrea Regina Barea Hartmann.
CARTA DE CURITIBA
MANIFESTO PELA TOLERÂNCIA ZERO CONTRA A VIOLÊNCIA AOS PROFISSIONAIS DA SAÚDE
Documento oficial de compromisso institucional e defesa da dignidade médica
A Medicina é uma profissão fundamentada no compromisso inalienável com a vida, a saúde e a dignidade humana. O exercício da arte de curar exige um ambiente de mútua confiança e respeito. No entanto, a crescente escalada de hostilidades contra aqueles que dedicam suas vidas ao cuidado do próximo fere não apenas o profissional, mas o próprio tecido social e a qualidade da assistência prestada à população. Este manifesto reafirma que a segurança do médico é condição sine qua non para a segurança do paciente.
Este documento fundamenta-se no novo e rigoroso arcabouço normativo estabelecido pela Resolução CFM nº 2.444/2025 e pela Resolução CRM-PR nº 253/2025. Tais normas não são meras diretrizes administrativas, mas marcos de proteção que definem protocolos claros de reação, registro e suporte diante de agressões. Elas representam o escudo institucional que ampara o médico em sua jornada, garantindo que nenhum ato de violência permaneça sem a devida resposta ética e jurídica.
Reconhecemos, com profunda preocupação, os dados alarmantes que assolam o Paraná e o Brasil. A violência — seja ela física, verbal, psicológica ou de gênero — tornou-se um risco ocupacional inaceitável. Médicos e médicas, especialmente em unidades de pronto atendimento (UPAs), unidades básicas de saúde (UBS) e ambientes hospitalares, enfrentam diariamente ameaças que comprometem sua integridade e saúde mental. O cenário atual exige uma ruptura definitiva com a cultura da passividade.
Sob o lema "Não aceite o inaceitável: Denuncie qualquer forma de violência", as entidades aqui reunidas proclamam:
1. A violência contra o profissional de saúde é uma agressão ao Estado Democrático de Direito e à saúde pública.
2. Ambientes de saúde, públicos ou privados, devem ser zonas de paz e segurança garantida.
3. A união de forças entre o Conselho Regional de Medicina (CRM-PR), o Conselho Federal de Medicina (CFM), a Associação Médica do Paraná (AMP), Sindicato dos Médicos do Paraná e os entes governamentais é o único caminho para a erradicação da impunidade.
4. A violência de gênero, que vitima majoritariamente nossas médicas, será combatida com o rigor máximo das leis vigentes e suporte especializado.
Os signatários deste manifesto e os profissionais aqui presentes assumem o compromisso solene de:
- Estimular a denúncia imediata: Transformar o medo em ação, utilizando os canais oficiais para registrar toda e qualquer agressão.
- Garantir suporte institucional: Assegurar que a vítima nunca esteja só, provendo acolhimento jurídico, ético e psicossocial.
- Implementar protocolos de segurança: Exigir que gestores públicos e privados adotem as medidas de segurança previstas nas Resoluções CFM 2.444/2025 e CRM-PR 253/2025.
- Monitoramento contínuo: Manter vigilância ativa sobre os índices de violência e a efetividade das punições aplicadas aos agressores.
O Paraná levanta sua voz para dizer que o cuidado não admite o medo. A agressão ao médico é uma ferida aberta na sociedade que não mais toleraremos.
Tolerância Zero contra a Violência aos Profissionais da Saúde.
Fonte: CRM-PR
Realizado com apoio do Conselho Federal de Medicina (CFM), o encontro ocorreu na sede do CRM-PR, em Curitiba, sob o lema "Não aceite o inaceitável: denuncie qualquer forma de violência", e marcou a consolidação de uma ampla mobilização em defesa de ambientes de trabalho mais seguros para quem atua na linha de frente do cuidado à população.
Representantes de diversas instituições ligadas à saúde, ao sistema de Justiça e ao poder público participaram do evento, reforçando o caráter interinstitucional da mobilização. Estiveram presentes o presidente do CRM-PR, Eduardo Baptistella; o conselheiro federal titular pelo Paraná, Alcindo Cerci Neto; a conselheira federal suplente pelo Paraná, Viviana de Mello Guzzo Lemke; o conselheiro federal pelo Rio de Janeiro, Raphael Câmara Medeiros Parente; o secretário de Estado da Saúde do Paraná, César Neves; o presidente da Associação Médica do Paraná (AMP), José Fernando Macedo; e o vice-presidente do Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná (Simepar), Darley Rugeri Wollmann Junior.
Participaram ainda a diretora da Unimed Curitiba, Khátia Maria de Gouvêa Ribas; a juíza da 1ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba, Rafaela Mari Turra; a presidente da Comissão de Saúde da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Paraná (OAB-PR), Renata Farah; o desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná, José Américo Penteado de Carvalho; integrantes e a coordenadora da Comissão da Mulher Médica do CRM-PR, Andrea Regina Barea Hartmann; o jornalista Roberto Hinça; o representante da Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba, Rômulo Pereira; e a presidente do Conselho Regional de Enfermagem do Paraná (Coren-PR), Ethelly Feitosa Santos.
Também estiveram presentes, tanto de forma presencial quanto online, conselheiros do CRM-PR da gestão 2023-2028 e representantes das Regionais do CRM-PR de Cascavel, Francisco Beltrão, Guarapuava, Londrina, Maringá e Ponta Grossa, entre outras lideranças e profissionais da saúde.
A urgência do tema é evidenciada pelos números. Levantamento da Comissão de Prevenção à Violência Contra Médicos do CRM-PR mostra que o Conselho recebeu 217 denúncias de violência contra médicos entre outubro de 2023 e junho de 2026. Somente neste ano, já foram registradas 57 ocorrências, o equivalente a uma denúncia a cada três dias.
O cenário acompanha uma tendência nacional igualmente preocupante. Dados do Conselho Federal de Medicina revelam que 2024 registrou o maior número de casos de violência contra médicos em estabelecimentos de saúde desde o início da série histórica, com 4.562 boletins de ocorrência, média de 12 médicos vítimas de violência por dia no Brasil.
Para o presidente do CRM-PR, Eduardo Baptistella, o problema ultrapassa a categoria médica e afeta diretamente toda a rede de atendimento à população.
"O tema é muito importante e não se resume apenas à violência contra os médicos, mas a todos os profissionais da saúde, inclusive outros funcionários como os atendentes das clínicas que também sofrem este drama. Isso não é aceitável, a violência prejudica a prática da Medicina e atinge a todos, sobretudo a população que depende do atendimento médico. Queremos respeito pelos profissionais da saúde. O médico precisa ter dignidade e integridade no seu local de trabalho para poder exercer a boa Medicina", afirmou.
Violência verbal lidera registros e mulheres são as principais vítimas
Os dados apresentados durante o evento mostram que a agressão verbal é a forma mais frequente de violência, responsável por 87 registros. Em seguida aparecem o assédio moral, com 71 casos, a agressão psicológica, o abuso de poder político, a intimidação e até agressões físicas.
O levantamento também aponta que os pacientes são os principais autores das agressões, respondendo por 119 denúncias.
Outro dado que chamou atenção dos participantes foi o recorte de gênero. Das 217 notificações recebidas pelo CRM-PR, 64% foram registradas por mulheres médicas, reforçando a vulnerabilidade feminina diante de situações de assédio, intimidação e violência no ambiente profissional.
Segundo o conselheiro federal pelo Paraná, Alcindo Cerci Neto, a realidade exige ações imediatas. "A violência contra o médico é uma realidade que vivemos no dia a dia, nos postos de saúde e nos hospitais. Ela se manifesta tanto fisicamente quanto de forma verbal, e as mulheres são as principais vítimas. Apesar de ser multifatorial, a violência é controlável e deve ser combatida. É inadmissível que ocorra. Os médicos estão deixando de trabalhar nas unidades de saúde. O médico quer ajudar e o sistema de saúde precisa ajudá-lo a fazer isso de forma ampla, tranquila e segura."
Relatos emocionam participantes e reforçam importância da denúncia
Um dos momentos mais marcantes da programação foi o painel "Vozes da Realidade – O Impacto do Inaceitável", que reuniu médicos vítimas de agressões durante o exercício profissional.
Os relatos evidenciaram como a violência impacta não apenas a segurança física dos profissionais, mas também sua saúde emocional, seu desempenho e a própria qualidade da assistência prestada aos pacientes.
O encontro reforçou a necessidade de romper o silêncio diante das agressões. Atualmente, apenas um em cada quatro médicos que denunciam violência ao CRM-PR registra boletim de ocorrência junto às autoridades policiais.
Novas normas e botão do pânico fortalecem rede de proteção
Durante o evento foram apresentadas a Resolução CFM nº 2.444/2025 e a Resolução CRM-PR nº 253/2025, que estabelecem diretrizes para prevenção, acolhimento e enfrentamento da violência contra médicos.
Também foi debatida a implementação do chamado "botão do pânico", mecanismo de acionamento rápido para situações de risco em instituições de saúde públicas e privadas.
A conselheira federal suplente pelo Paraná, Viviana de Mello Guzzo Lemke, destacou o protagonismo do CRM-PR na adoção das medidas. "Estamos vivendo um momento ímpar. O CRM-PR é o primeiro Conselho regional do país a seguir a resolução do CFM sobre enfrentamento da violência no meio médico, editar uma resolução própria sobre o tema e publicar um manual de implementação do botão do pânico. O CRM-PR e a Comissão das Mulheres Médicas estão de parabéns pela iniciativa."
O secretário de Estado da Saúde do Paraná, César Neves, também defendeu a ampliação das medidas de proteção. "Não podemos fechar os olhos para este problema que acontece nas unidades de saúde, nas portas dos hospitais e nos prontos-socorros. É inaceitável que isso ocorra. A implantação do botão do pânico é um avanço e a Secretaria apoia que essa ação se transforme em lei no Estado, pois trata-se de uma medida efetiva contra quem desrespeitar os profissionais da saúde."
Coalizão reúne instituições em busca de soluções permanentes
Além dos debates técnicos, o evento promoveu um fórum de coalizão com representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, entidades médicas e instituições parceiras.
Para o vice-presidente do Sindicato dos Médicos do Paraná (Simepar), Darley Rugeri Wollmann Junior, o enfrentamento da violência exige atenção às condições estruturais do sistema de saúde. "Este evento, que congrega as principais entidades médicas do Estado, é de extrema importância devido à gravidade do problema. A precarização do trabalho e a desassistência são algumas das causas do aumento da violência contra os médicos, o que acaba gerando prejuízos para a própria população."
A diretora da Unimed Curitiba, Khátia Maria de Gouvêa Ribas, ressaltou a necessidade de atuação conjunta entre as instituições. "Para que possamos ter um combate efetivo da violência no âmbito da saúde é necessário que todas as entidades estejam unidas. O assunto precisa ganhar repercussão porque os profissionais estão muito expostos e precisam ser protegidos."
A presidente do Conselho Regional de Enfermagem do Paraná (Coren-PR), Ethelly Feitosa Santos, reforçou que a violência afeta toda a equipe multiprofissional e impacta diretamente a qualidade da assistência prestada aos pacientes.
Já a juíza da 1ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba, Rafaela Mari Turra, propôs a criação de uma comissão permanente para transformar as diretrizes das resoluções em ações concretas. "A criação de uma Comissão Multi-Institucional, com participação da Secretaria de Segurança Pública, Polícia Civil e Guarda Municipal, pode ajudar a construir protocolos regionais que permitam implementar efetivamente as ferramentas previstas nas resoluções."
"É preciso cuidar de quem cuida"
Relator da Resolução CFM nº 2.444/2025, o conselheiro federal pelo Rio de Janeiro, Raphael Câmara Medeiros Parente, alertou para os reflexos da violência sobre todo o sistema de saúde. "É um problema crônico em todo o Brasil. A violência contra os médicos é inaceitável e compromete o atendimento à população. Se o médico não tem segurança, ele não consegue trabalhar de maneira correta e isso se reflete atualmente na dificuldade em contratar profissionais. É preciso deixar claro que devemos cuidar de quem cuida da gente."
Carta de Curitiba formaliza compromisso de tolerância zero
Ao final do encontro, foi apresentada a Carta de Curitiba – Manifesto pela Tolerância Zero, documento construído coletivamente pelas instituições participantes e lido pela coordenadora da Comissão das Mulheres Médicas do CRM-PR, Andrea Regina Barea Hartmann.
CARTA DE CURITIBA
MANIFESTO PELA TOLERÂNCIA ZERO CONTRA A VIOLÊNCIA AOS PROFISSIONAIS DA SAÚDE
Documento oficial de compromisso institucional e defesa da dignidade médica
A Medicina é uma profissão fundamentada no compromisso inalienável com a vida, a saúde e a dignidade humana. O exercício da arte de curar exige um ambiente de mútua confiança e respeito. No entanto, a crescente escalada de hostilidades contra aqueles que dedicam suas vidas ao cuidado do próximo fere não apenas o profissional, mas o próprio tecido social e a qualidade da assistência prestada à população. Este manifesto reafirma que a segurança do médico é condição sine qua non para a segurança do paciente.
Este documento fundamenta-se no novo e rigoroso arcabouço normativo estabelecido pela Resolução CFM nº 2.444/2025 e pela Resolução CRM-PR nº 253/2025. Tais normas não são meras diretrizes administrativas, mas marcos de proteção que definem protocolos claros de reação, registro e suporte diante de agressões. Elas representam o escudo institucional que ampara o médico em sua jornada, garantindo que nenhum ato de violência permaneça sem a devida resposta ética e jurídica.
Reconhecemos, com profunda preocupação, os dados alarmantes que assolam o Paraná e o Brasil. A violência — seja ela física, verbal, psicológica ou de gênero — tornou-se um risco ocupacional inaceitável. Médicos e médicas, especialmente em unidades de pronto atendimento (UPAs), unidades básicas de saúde (UBS) e ambientes hospitalares, enfrentam diariamente ameaças que comprometem sua integridade e saúde mental. O cenário atual exige uma ruptura definitiva com a cultura da passividade.
Sob o lema "Não aceite o inaceitável: Denuncie qualquer forma de violência", as entidades aqui reunidas proclamam:
1. A violência contra o profissional de saúde é uma agressão ao Estado Democrático de Direito e à saúde pública.
2. Ambientes de saúde, públicos ou privados, devem ser zonas de paz e segurança garantida.
3. A união de forças entre o Conselho Regional de Medicina (CRM-PR), o Conselho Federal de Medicina (CFM), a Associação Médica do Paraná (AMP), Sindicato dos Médicos do Paraná e os entes governamentais é o único caminho para a erradicação da impunidade.
4. A violência de gênero, que vitima majoritariamente nossas médicas, será combatida com o rigor máximo das leis vigentes e suporte especializado.
Os signatários deste manifesto e os profissionais aqui presentes assumem o compromisso solene de:
- Estimular a denúncia imediata: Transformar o medo em ação, utilizando os canais oficiais para registrar toda e qualquer agressão.
- Garantir suporte institucional: Assegurar que a vítima nunca esteja só, provendo acolhimento jurídico, ético e psicossocial.
- Implementar protocolos de segurança: Exigir que gestores públicos e privados adotem as medidas de segurança previstas nas Resoluções CFM 2.444/2025 e CRM-PR 253/2025.
- Monitoramento contínuo: Manter vigilância ativa sobre os índices de violência e a efetividade das punições aplicadas aos agressores.
O Paraná levanta sua voz para dizer que o cuidado não admite o medo. A agressão ao médico é uma ferida aberta na sociedade que não mais toleraremos.
Tolerância Zero contra a Violência aos Profissionais da Saúde.
Fonte: CRM-PR