Artigo: Médicos Estrangeiros
Dr. Badwan Jaber - Presidente Assoc. Médica Sudoeste Novo
Em relação ao Programa Mais Médicos do Governo Federal, a Associação Médica do Paraná Sudoeste Novo, vem publicamente esclarecer alguns pontos, para o bom entendimento da situação.
O problema da saúde pública no Brasil nunca foi a falta de médicos. É só ver a proporção de médicos por habitante, na qual estamos dentro dos padrões estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de 1 médico para cada 1000 habitantes. O verdadeiro problema é sua má distribuição pelo território nacional, decorrente da falta de estrutura básica para o exercício da medicina em algumas regiões mais distantes; hoje, nota-se como regra, que quanto mais longínquo o município, maior a remuneração do profissional. E mesmo assim o médico não se fixa nestas locais. E alguém se pergunta o motivo disso?
A falta de condições mínimas para o exercício da medicina nestas regiões é que deveria ser o ponto de ataque do Governo Federal, e não a importação de mais médicos. Só que pra isso deveria haver uma reestruturação do sistema de saúde nacional, com a descentralização de centros médicos em direção ao interior, investindo em recursos tecnológicos nestas áreas mais periféricas. Isto demandaria um grande estudo da rede de atenção à saúde e grandes investimentos, o que vai contra a posição do Governo Federal, cuja clareza é evidente: quanto mais pobre a região, mais barata a solução.
Além das condições básicas para o exercício da boa medicina, o médico precisa ser remunerado de forma séria e condizente com a realidade. As falsas promessas e o não cumprimento dos contratos de trabalho contribuem para esta não fixação do médico no interior. Uma solução proposta pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), após longo estudo e análise da situação dos médicos brasileiros, é a criação de um plano de carreira para o médico, federal ou estadual, a exemplo de outras áreas, como por exemplo, promotores e juízes. Desta maneira, o médico terá estabilidade e exclusividade no emprego, boa remuneração, condições de trabalho e, talvez o ponto mais importante, terá menos interferência politica em sua carreira, como acontece mais comumente nestas áreas, onde o médico fica a mercê da política local, inclusive sujeitando-se muitas vezes a vieses de conduta profissional.
Mas esta proposta do CFM, de carreira de Estado para o médico, não teve eco neste Governo Federal, pois o mesmo insiste em importar médicos cubanos. Justamente os cubanos, aliados de primeira hora deste Governo. Aliás, a medicina cubana está, hoje, entre as mais atrasadas e defasadas da América Latina, vivendo somente da curta fama que teve durante os anos da Guerra Fria, onde a ex-URSS oferecia aos caribenhos recursos tecnológicos da época.
Portanto, a importação de médicos para regiões mais pobres e longínquas dos grandes centros apenas agravaria o problema e tornaria o abismo ainda maior entre estas áreas. Mas parece que é justamente isto que o Governo Federal almeja: medicina barata e pobre para pobre, criando assim o médico de segunda linha para o também cidadão de segunda linha.
Ou você acha que algum membro deste Governo Federal deixaria de se tratar no Hospital Sírio Libanês para se tratar com um destes médicos cubanos?
Dr. Badwan Jaber - CRM 17486
Presidente Assoc. Médica Sudoeste Novo