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Senador Sérgio Souza debate Ato Médico com Comissão Estadual de Defesa Profissional

Projeto está entre os temas polêmicos na pauta do Congresso em 2012

Redação AMP domingo, 29 de janeiro de 2012

O senador paranaense Sérgio Souza (PMDB) esteve na sede da Associação Médica do Paraná nesta segunda-feira, 30 de janeiro, para uma reunião sobre o projeto de lei do Senado do ato médico, que regulamenta a profissão de médico no país. Em trâmite há 10 anos no Congresso Nacional, o projeto teve relatório apresentado no final do ano passado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, onde aguarda votação. Se aprovado pela CCJ, o projeto passará pelas comissões de mérito da Casa, como a Comissão de Assuntos Sociais (CAS), antes de chegar ao plenário.

Apesar dos 10 anos de tramitação e de já até ter sido aprovado pelo Senado em 2006 (voltou porque sofreu alterações quando passou pela Câmara), o ato médico, na opinião do senador Sérgio Souza, não deverá ser aprovado neste ano. “Ano eleitoral é complicado, as atenções se dividem e o pessoal evita votar questões polêmicas. Uma boa tramitação para o projeto seria passar por todas as comissões esse ano, ficando pronto para ser votado em plenário em 2013”, argumentou.

O senador disse estar estudando o texto em discussão na CCJ e prometeu analisar e acompanhar toda a evolução da tramitação. “Para um relatório desses já ter sido lido na CCJ, é porque já houve muita conversa e articulação. O Senado não tem o hábito de levar para votação textos que ainda não tenham consenso. Prova disso foi a forma como foi tratado o texto do Código Florestal”, disse.

Na reunião desta segunda-feira, representantes da Associação Médica do Paraná, Associação Médica Brasileira, Conselho Regional de Medicina e Sindicato dos Médicos no Paraná explicaram ao senador a importância da regulamentação da profissão. “Todas as outras profissões da saúde já foram regulamentadas. Apenas a de médico ainda não”, lembrou o presidente do CRM, Carlos Roberto Goytacaz Rocha. “Não estamos preocupados com reserva de mercado. Está faltando médico de qualidade no Brasil, não vamos invadir funções de nenhuma profissão regulamentada”, disse o diretor do Simepar José Valêncio de Almeida.

Para o vice-presidente da AMP e da AMB, José Fernando Macedo, está havendo uma interpretação equivocada de outras áreas de saúde sobre o projeto de lei. “Nossa briga não é com as outras profissões da saúde, é com a qualidade do atendimento prestado à população. Precisamos regulamentar nossa profissão para evitar que pessoas morram por conta de procedimentos errados ou feitos por profissionais não capacitados”, disse.

Provocador do encontro, o presidente da AMP, João Carlos Baracho, explicou ao senador que a movimentação contrária ao projeto baseia-se em argumentos equivocados de que a Medicina está querendo tomar para si atribuições de outras profissões da saúde. “Os médicos reivindicam, apenas e tão somente, a institucionalização de sua profissão, medida que vem sendo procrastinada sem que nenhuma razão plausível exista para tanto”, disse Baracho. “A regulamentação é fundamental para que se esclareça o que é ou não é medicina e para que haja uma efetiva delimitação das atividades na área de saúde”, completa.